terça-feira, 10 de junho de 2008

Primeiro andar: Tango (parte I)

Primeiro andar: Tango (parte I). Compasso 4 x 4 (quaternário). É filho da milonga e nasceu nos prostíbulos da Região da Prata. Vem de lá grande parte do imaginário que permeia sua vinda ao mundo através de seus cenários e personagens. Cabarés, prostitutas, marinheiros, compadritos y malevos (similares aos malandros brasileiros do início do século XX), briga de punhais, passionalidade, amores sangrentos e por aí vai.

É bom lembrar que nessa época, o tango era restrito aos prostíbulos, pois "moça de família não se encostaria num homem para bailar nessa dança sem-vergonha". Isso nos soa familiar? Sim. Pois aqui no Brasil havia o maxixe que carregava o mesmo estigma.

Por ser, portanto, coisa de rameiras, cáftens (cafetões), malandros e playboys metidos a malandros, o tango tinha letras abusadinhas, como no caso de 'El choclo' que significa 'O milho (a espiga)' e fazia referência escrachada ao pênis, com as palavras de baixo calão que eram usadas nesses ambientes.

Com o tempo, o tango foi ficando mais 'social', ganhando espaço nos cabarés de luxo e semi-luxo, com suas orquestras da famosa Guardia Vieja (velha guarda), e até a letra de 'El choclo' foi modificada.

Em 1917, nasce o primeiro tango-canção 'de família' e já com o peso da lamentação e dor-de-cotovelo que iria caracterizá-lo nas décadas seguintes. Na voz de Carlos Gardel, "Mi noche triste" foi um divisor de águas na história do tango.


Um comentário:

Rosa Filó disse...

Flávia,
Hoje descobri seu blogue e adorei!
Gosto de tango, de Buenos Aires, de samba, do Rio, do Rio antigo. Essas circunstâncias se cruzam em vários momentos.
Abraços,
Simone