segunda-feira, 30 de junho de 2008

Workshop de Tango > fotos



O workshop de tango para mulheres foi uma beleza, tanta, que eu poderia discorrer à vontade aqui sobre ele. Mas as imagens, nesse caso, falam mais que palavras.

Clique aqui para ver o álbum.


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sábado, 28 de junho de 2008

Para quem vai a Buenos Aires

Para quem vai a Buenos Aires (sei que muito brasileiro gosta de ir nessa época do ano, quando o frio por lá está de rachar os ossos), nada melhor que ter um plano na cabeça para curtir melhor a cidade.

Para isso, busquei um site que desse as mais completas informações sobre a cidade, com direito a mapas, milongas e seus respectivos preços, até pontos turísticos e onde ficar. E o que é mais bacana: tem versão em português.

Clique aqui para ver o Site Oh! Buenos Aires!


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quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Jorge Luis Borges




Borges nasceu em
Buenos Aires em 1899. Sua obra se destaca por abordar temáticas como filosofia, metafísica, mitologia e teologia em narrativas fantásticas, como era o costume dos escritores sul-americanos do século passado.

Situava todas as suas estórias numa Argentina recriada a partir de sua visão crítica e aguçada da realidade do país e de sua cultura. Foi assim que escreveu o conto O Aleph, um dos mais conhecidos de sua extensa obra.

Nesse conto, o protagonista se depara com a possibilidade de conhecer o ponto do espaço que abarca toda a realidade do universo num local bastante inusitado: no porão de um casarão situado em Buenos Aires, prestes a ser demolido. Este ponto recebe a alcunha de Aleph, a letra inicial do alfabeto hebraico, correspondente ao Alfa do alfabeto grego e ao A do alfabeto latino.

o escritor Zulmar Lopes descreve assim os 'labirintos de Borges':

"Ler Jorge Luis Borges é como aventurar-se em um dos labirintos tão obsessivos na obra do mestre argentino, perder-se em meio a livros não escritos, viajar por cidades e planetas inexistentes e no final exclamar: O universo de Borges suplanta o do Criador no quesito imaginação."

Morreu em Genebra em 1986 e está sepultado lá mesmo por opção própria.

Leia O Aleph em português.

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terça-feira, 24 de junho de 2008

Figuras do Tango: Raquel Mellman




Quero abrir essa sessão "Figuras do Tango" não com uma bailarina com pernas que vão na orelha, nem um bailarino rei dos salões, ou um promoter de eventos, ou um músico, muito menos um casal campeão ou super badalado. Nada disso. Quero abrir com uma pessoa que sempre se mostrou extremamente atuante nos bastidores e com seu trabalho de formiguinha, tem disseminado o tango pelos quatro cantos do mundo.

Trata-se da carioca Raquel Mellman, também minha amiga.

Ela divulga tudo e qualquer coisa relacionada ao tango, de maneira totalmente despretenciosa, e isso merece destaque. Freqüenta os melhores bailes, mas divulga mesmo aqueles que não freqüenta.

Além de tudo ela tem um site cheio de informações relevantes, que já linkei por aqui. É o Rio Tango

Parabéns Raquel, e continue sendo essa formiga atômica do tango!

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Workshop para Mulheres II


Claro que muita coisa depende das mulheres que vão fazer o curso, uma vez que a minha prioridade é o humano, a individualidade de cada uma (ou cada um), mas sempre dá para adiantar um programa básico e dirigido.

Nesse caso fiz o programa apenas para os dois primeiros dias, porque, dependendo da resposta das participantes, posso trocar tudo no domingo.

Por exemplo, no dia 27 vou trabalhar a postura, o eixo (equilíbrio), caminhada, terminando com técnica de pivoteio e boleio baixo.

No dia 28 continuamos o que foi dado na aula anterior, mais ganchitos e picos e enfeites possíveis com os pés. Se der - vejam bem, se der! - ainda trabalhamos boleios altos.

No dia 29 vai ser como falei. Vou desenvolver a partir das possibilidades criadas nos dias anteriores, podendo até entrar no campo do improviso feminino.

Logo depois da aula do dia 29, vamos todas (que quiserem) à milonga A Media Luz para praticar o que cada uma 'pegou' do curso.

Para que tudo isso seja possível e que as damas de Brasília possam dançar cada vez melhor e com mais prazer (o que é fundamental), é preciso que as interessadas liguem pr'esse telefoninho pra se inscreverem: (61) 8418-9565. Simples assim.

Ou então me passa um e-mail: ftvtango@yahoo.com.br

abraços e até lá ;)

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domingo, 22 de junho de 2008

Workshop para Mulheres I

E por falar em mulher, dia 27 estarei começando um workshop para elas, que vai até o dia 29. Até lá vou postar aqui os elementos que trabalharei ao longo do curso. São duas horas por dia, com intervalo de 10 minutos para cada dia.

Sim, o workshop é para mulheres e, claro, vou trabalhar a feminilidade e sensualidade na dança, mas muitos homens vieram me perguntar se podiam fazer também - como mulher. No início não achei boa idéia, mas conforme fui conversando com as pessoas, cheguei à conclusão de que não haveria mal algum.

Eu mesma já fiz worshop para homens - como homem. Até porque acho importante cada gênero saber o que se passa na dança do outro. Se colocar no lugar do outro é fundamental, na minha opinião. Sendo assim, resolvi abrir o curso para os meninos (de todas as idades) que quiserem se iniciar nas sofisticações femininas.

Por enquanto é só, amanhã falo mais a respeito do curso.

Para quem quiser informações completas, clique aqui.

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Poesia: mulher de vidro









Mulher de vidro

Queria fazer poesia
Mas as lágrimas me embotam os olhos
Queria chorar
Mas a poesia me embota a alma
E meus dedos perambulam pelo caderno
Enquanto o verão de Buenos Aires me desbota

Acendo um cigarro em minha mente
Só pra ver o desenho da fumaça
E enquanto o tempo se anuncia presente
Ele mesmo não passa
Ao contrário, vem sussurrar no meu ouvido:
Cadê tua graça?

Dorme, que é melhor, mulher de vidro
Dorme enquanto a vida espreguiça
Seus belos tangos não te acalentam mais
Dorme, mas não sonha
Que sonhar já virou teu vício
Mulher das milongas loucas
Dos pés inquietos,
Do bairro das bocas...

(Flávia Valente)

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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Así se baila el tango? (A postura)






Muito se fala na 'postura do tango' principalmente quando se tem intensões didáticas. Certo, a postura é fundamental, mas para mim há outra coisa que deve vir junto, ou até antes da postura - aquela em leve contrapeso. Acredito que nunca, nunca mesmo, em tempo algum deve-se esquecer o orgânico do corpo.

Minha professora de cinesiologia da faculdade de dança dizia que o corpo humano está mais para árvore que para poste. Ou seja, não somos retos, somos ondulatórios. Nossa coluna vertebral é como uma cobra, foi feita para ondular, para torcer e para espiralar.

Sinto em muitos homens e mulheres, desde novatos até profissionais, uma rigidez que destoa da natureza humana, como se o tango lhe colocasse uma armadura.

Pois para mim, a experiência diz outra coisa: solte-se, ponha o mar no corpo, mareie (Isso me lembra Isadora Duncan), vente, invente, siga o fluxo do movimento, sinta o corpo seu e do outro, nunca se feche, desenhe...

Se não fizermos poesia com nosso corpo ao dançar, então não há porque dançar...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Clipe: Adriana Varela

Adriana Varela é uma das cantoras que mais me fazem 'entrar' na música. Com uma voz rascante, de quem aproveitou muito a noite de Buenos Aires, ela interpreta com tal facilidade as canções de tango, que para quem assiste, parece que é realmente fácil.

Mas tango, tango raiz, tango de verdade, nunca é fácil. Meus alunos que o digam.

No vídeo, Adriana Varela interpreta "Con la frente marchita" de Sabina Joaquín.


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terça-feira, 17 de junho de 2008

Arraiá do Cacá

Próxima sexta, dia 20, às 21h vai rolar o Arraiá do Cacá (nome dado por minha pessoa) com baile de dança de salão e tango.

Segundo o próprio, haverá canjica, pipoca, caldo de feijão, sorteios e otras cositas más.

Acho que vai ser bem divertido, por isso eu vou. Espero ver os amigos por lá ;)

Núcleo de Dança do Cresça, 703/903 Sul (ao lado da UniDF)


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Culinária: empanadas criollas



Segundo estudos, as empanadas surgiram na Pérsia antes de Cristo. A massa era feita já com farinha de trigo e o recheio com carne de carneiro. Na Andaluzia, Espanha, ela ganhou recheio de carne bovina e temperos como páprica e pimenta.

Com as grandes navegações, a empanada veio parar nas Américas. Mas foi na América do Sul e principalmente na Argentina, Chile, Bolívia e Colômbia que esta iguaria figurou como parte essencial de sua culinária e cultura.

Então, como saco vazio não pára em pé, como diz minha avó, aí vai uma receita de empanada criolla (típica de Buenos Aires) antes de sacar viruta al piso.

(sugestão da blogueira: copie e cole a receita no seu Word para melhor visualização e para ficar arquivada, assim, sempre que você quiser preparar empanadas, já terá a receita à mão. São deliciosas e caem muito bem com vinho tinto)

Ingredientes:

massa

1/2 kg de farinha de trigo + um pouco para polvilhar a assadeira
1 colher (sobremesa) de sal
100 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente

recheio
1/2 kg de contrafilé limpo cortado em bifes finos
1/2 kg de cebola cortada em cubinhos
50 g de manteiga sem sal
1/2 xícara (chá) de cebolinha verde cortada em rodelinhas
1 colher (sobremesa) de sal
1 colher (café) de cominho em pó
1 colher (café) de páprica
1 colher (café) de pimenta-do-reino
100 ml de caldo de carne
4 ovos cozidos picados
18 azeitonas verdes sem caroço
36 uvas passas pretas sem semente e demolhadas

Modo de Preparo:
Recheio: corte os bifes em tiras e, em seguida, em quadradinhos. Numa panela, doure a cebola na manteiga e junte a carne. Acrescente a cebolinha verde, o sal, o cominho, a páprica, a pimenta-do-reino e o caldo de carne e mexa cuidadosamente. Retire do fogo, deixe esfriar e coloque na geladeira por, no mínimo, 2 horas (é necessário para manter a umidade do recheio). Massa: misture a farinha e o sal e despeje numa superfície lisa. Abra um buraco no meio e coloque a manteiga. Misture bem e acrescente água morna, aos poucos, até obter uma massa flexível (cerca de 200 ml, o suficiente para dar liga na massa). Trabalhe bem a massa e divida-a em bolas. A seguir, estique as bolas com um cilindro, até conseguir uma espessura de 2 mm. Com a ajuda de um cortador ou um recipiente circular, corte círculos de aproximadamente 10 cm cada um. Enfarinhe 2 a 3 assadeiras e reserve. Retire o recheio da geladeira e adicione cuidadosamente os ovos cozidos. Coloque 1 colher (sopa) do recheio no meio dos círculos, deixando uma borda de massa de cerca de 2 cm por toda a volta. Por fim, acrescente 1 azeitona e 2 uvas passas em cada círculo. Umedeça a borda com água e feche os círculos, apertando bem as bordas. Com a ajuda dos dedos, faça voltinhas na borda, como se fosse uma bainha (se achar muito trabalhoso, faça pressão com um garfo em toda a extensão). Coloque as empanadas nas assadeiras enfarinhadas e asse em forno médio (200ºC), preaquecido, por 8 a 10 minutos, ou até dourar levemente.

Fonte: Revista Menu

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domingo, 15 de junho de 2008

Mais Cia Aérea de Dança

Depois de ver a foto do último post, Leonor Costa, divulgadora da dança de salão, mandou-me o link de seu blog, mostrando um vídeo da Cia Aérea de Dança se apresentando num evento de Estelinha Cardoso, uma das maiores damas da dança de salão carioca, no Circo Voador, Rio de Janeiro.

A apresentação em questão fazia parte do espetáculo Gaffi e aconteceu em agosto de 2007.


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Foto: Cia Aérea de Dança


Eu e João Carlos Ramos no espetáculo Gaffi no Espaço Mimulus em Belo Horizonte. Foto de Jomar Mesquita.

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Prática de tango

Amanhã, sábado, dia 14 de junho, vai rolar uma prática de tango encabeçada por Giovani e Cléa.

É Bem nos moldes das antigas práticas que aconteciam no Rio de Janeiro, isso lá pra década de noventa...

ou seja, os participantes têm que levar comes e bebes e pagam uma taxinha simbólica de R$ 2,00 pelo aluguel do salão. De minha parte, incentivo amplamente esse tipo de encontro, que é mais despojado e sai mais barato que um baile tradicional.

311 norte, bloco G, salão de festas (térreo). Vai de 21h a 1h.

Nos vemos lá ;)

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Quarto andar: Tango Novo

Quarto andar: Tango Novo. Compasso 4 x 4 (quaternário). As grandes orquestras continuavam com seus êxitos, mas um fato fez com que a visão de tango mudasse. Astor Piazzolla surgiu na cena para roubá-la em meados do século XX. Tendo estudado música erudita e composição em Paris com Nadia Boulanger (que foi aluna de Rachmaninoff), uniu este conhecimento ao que que já tinha de tango tocado no bandoneón e criou assim o que ele chamava de música contemporânea de Buenos Aires.

Na década de 60, muitos músicos de tango execraram sua música dizendo que aaquilo não era tango, tendo Piazzolla encontrado apoio apenas em um de seus amigos e mestres Anibal Troilo e um admirador de peso, dono de uma das grandes orquestras, Osvaldo Pugliese.

A verdade é que com ou sem Piazzolla, o tango teria uma baixa significativa a partir da década de 70, quando as discotecas tomariam de assalto as principais metrópoles do mundo.

Inclusive aqui no Brasil aconteceu a mesma coisa com a dança de salão, que praticamente se extinguiu nessa época.

Depois de pssada a onda das discos, já em meados dos anos 80, o tango renasce em Buenos Aires, primeiro timidamente, e mais tarde com força total. Esse novo bum do tango trouxe não só a tradição de volta, como a criatividade dos jovens que eram arrebatados por ele.

O tango de hoje, portanto está completamente inserido em seus dias, em sua contemporaneidade. Trazendo no sangue o DNA dos antigos que o consagraram, reinventou-se e trouxe gente nova e novas composições, assim como experimentações de toda sorte.

Hoje existe o Tango Novo, feito por essas experimentações, inclusive com música eletrônica. Os puristas dizem que isso não é tango. Mas acredito que esse 'conflito de gerações' é mais uma marca registrada desse ritmo tão passional.

No exemplo, um tango eletrônico bailado por Blaz & Andrea.


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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Terceiro andar: Tango vals

Terceiro andar: Tango vals. Compasso 3 x 4 ou 6 x 8 (ternário). Aqui tenho que dar um tempo na história do tango em si para falar do tango vals. É uma valsa adaptada ao tango, pois quando este começou a tomar a sociedade de assalto, houve quem fizesse essa mescla, já que a valsa já era velha conhecida dos portenhos.

Não há muito conhecimento escrito sobre esse ritmo, nem nos livros, nem na internet, só se sabe que sua dança é mais contínua, com menos figuras e mais circular que o tango e a milonga. Mas ainda é amplamente dançada nos bailes, embora muitos alunos de tango reclamem que os professores não lhe dão a devida atenção.

Exemplo de Tango Vals: "Bajo un cielo de estrellas" de José Maria Contursi e E.M. Francini, bailado por Tete & Silvia

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Segundo andar: Tango (parte II)

Segundo andar: Tango (parte II). Compasso 4 x 4 (quaternário). Depois de Gardel o tango começou a tomar proporções mais profissionais, tanto na música quanto na dança. Surgiram as grandes orquestras, os grandes nomes, os dançarinos profissionais. O tango ganhou o mundo e conquistou platéias das mais variadas. O bandoneón já fazia parte fundamental de seus arranjos, tornendo-se o instrumento por esselência dessa música. Os bailes já tomavam os salões da sociedade. Os passos de dança começavam a tomar forma e a fazerem parte de uma coreografia bem peculiar.

São dessa nova leva, a chamada Guardia Nueva (Nova Guarda) músicos como Di Sarli, Fresedo, Canaro, D'Arienzo, De Angelis, Anibal Troilo e outros tantos.

Essa maré só mudaria com um rapaz, filho de imigrantes italianos, que idolatrava Gardel, aprendeu música na Argentina e na França e fez parte da orquestra típica de Troilo: Astor Piazzolla. Mas essa é outra estória.

Exemplo de tango: poderia dar muitos, pois o assunto é demasiadamente rico, mas optei pelo tango mais tocado, conhecido e cheio de versões que existe, La cumparsita, do uruguaio Gerardo Matos Rodriguez, bailado por Gustavo Naveira e Gisele Anne.


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terça-feira, 10 de junho de 2008

Primeiro andar: Tango (parte I)

Primeiro andar: Tango (parte I). Compasso 4 x 4 (quaternário). É filho da milonga e nasceu nos prostíbulos da Região da Prata. Vem de lá grande parte do imaginário que permeia sua vinda ao mundo através de seus cenários e personagens. Cabarés, prostitutas, marinheiros, compadritos y malevos (similares aos malandros brasileiros do início do século XX), briga de punhais, passionalidade, amores sangrentos e por aí vai.

É bom lembrar que nessa época, o tango era restrito aos prostíbulos, pois "moça de família não se encostaria num homem para bailar nessa dança sem-vergonha". Isso nos soa familiar? Sim. Pois aqui no Brasil havia o maxixe que carregava o mesmo estigma.

Por ser, portanto, coisa de rameiras, cáftens (cafetões), malandros e playboys metidos a malandros, o tango tinha letras abusadinhas, como no caso de 'El choclo' que significa 'O milho (a espiga)' e fazia referência escrachada ao pênis, com as palavras de baixo calão que eram usadas nesses ambientes.

Com o tempo, o tango foi ficando mais 'social', ganhando espaço nos cabarés de luxo e semi-luxo, com suas orquestras da famosa Guardia Vieja (velha guarda), e até a letra de 'El choclo' foi modificada.

Em 1917, nasce o primeiro tango-canção 'de família' e já com o peso da lamentação e dor-de-cotovelo que iria caracterizá-lo nas décadas seguintes. Na voz de Carlos Gardel, "Mi noche triste" foi um divisor de águas na história do tango.


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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Térreo: Milonga

Térreo: Milonga. Compasso 2 x 4 (binário). Filha do candombe com a habanera cubana, já não tem tambores, mas ainda é dançada em meados do século XIX por negros e pela população mais pobre, principalmente nos conventillos, que eram uma espécie de cortiço. É executada e dançada nos bailes de tango até hoje. Aliás, ela dá o nome ao baile tradicional de tango, que tanto na Argentina e Uruguai, quanto no resto do mundo é chamado de Milonga.

Sua forma de dançar é estacada, com os pés fincando bem no chão, mas sem perder a agilidade. Dizem que uma boa milonga é 'bem terra'.

Exemplo de milonga: "Relíquias porteñas" de Francisco Canaro, bailada por Geraldine & Javier.


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Fundação: Candombe

Sim, falamos O Tango como se fosse uma coisa só, mas há uma variedade infinda de gêneros do tango. É como se O Tango fosse o prédio, e os gêneros, os andares.

Vou colocar aqui os mais conhecidos, até para que os que estão iniciando agora possam ver e ouvir a diferença entre eles.


Fundação do prédio: Candombe. Compasso 2 x 4 (binário). Foi o pai da milonga e filho da comunidade negra da Região da Prata (Buenos Aires e Uruguai). É tocado com percussão, preferencialmente tambores. Existem também vários tipos de candombe, mas basta saber que o que está mais perto da milonga, é dançado como esta, em alguns casos com mais requebros.

Exemplo de candombe: "Tango Negro" de Juan Carlos Cáceres, bailado por Daniela & Luis


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Lunfardo


Já falei sobre lunfardo num outro post, mas creio que é o tipo de assunto que dá tanto pano pra manga que volta e meia voltarei a ele.

Disse-me um amigo uruguaio que tem anos de tango nas costas - ou melhor, no corpo todo - que a própria palavra lunfardo é um lunfardo. Explico.

Lunfardo é a palavra com a qual eram chamados os ladrõezinhos, bandido de pouca monta, freqüentadores contumazes de delegacias e afins. Por terem um linguajar próprio para que a polícia não conseguisse entender o que falavam, esse linguajar levou o nome daqueles que o adotavam, ou seja, o lunfardo. Daí surgiu a denominação da gíria que permeou toda a história do tango.

Mais sobre o assunto, você pode ver no livro "Carlos Gardel, lunfardo e tango" de José Lino Grünewald. Tive contato com esse livro há um bom tempo atrás, mas lembro bem dele. Foi o primeiro sobre tango que li quando engressei nesse universo em 1995. Vale a pena.

Abaixo, alguns links (os mais baratos) para quem quiser comprar ou só matar a curiosidade sobre o livro.

Livraria-sebo Traça
Mercado Livre
Sebolândia

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domingo, 8 de junho de 2008

Desde el alma

Um clássico! Provavelmente o tango-vals mais tocado e adorado pela comunidade tangueira.

Nasceu em 1911 do talento musical de uma menina uruguaia de 14 anos, Rosita Melo.

Em 1948, Homero Manzi, já naquela época famoso letrista de tangos, pediu para incluir a canção "Desde el alma" no filme "Pobre mi madre querida" estrelado pelo grande cantor argentino Hugo del Carril e pela atriz italiana Emma Gramatica. Para tanto, solicitou ao marido de Rosita, Victor Piuma Veléz que refizesse a letra que este havia colocado na música, uma vez que esta falava de amor à mãe e a canção do filme deveria falar de amor romântico. O próprio Manzi deu sua contribuição à nova letra.

Rosita teve duas filhas com Victor e seguiu sua vida, primeiramente dando aulas de piano e logo depois tornando-se concertista.

Morreu em 1981, depois de uma vida dedicada à família e à música. E "Desde el alma" continua sendo uma das maiores obras-primas do tango, não tendo havido uma orquestra e/ou cantor(a) que não a entoasse, figurando como o tango-vals que mais versões ganhou até hoje.

No vídeo, Desde el alma na voz de Hugo del Carril atuando no filme mencionado acima:


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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sapatos, eterno fetiche


Quem em sã consciência, começa a fazer tango e não pensa nos sapatos próprios para bailá-lo? Quando conhece os modelos argentinos então! Eu mesma sou uma que confessa seu mais profundo fetiche.

Não é à toa que a foto da logo desse blog é meu próprio pé com um sapato argentino. Sou louca! E quem não é? Até os homens se rendem à vaidade podólatra desses magníficos artefatos.

E não basta serem bonitos, têm que ser confortáveis e facilitar o 'arraque' e o 'pivoteio', sem prender nem escorregar. Tem que facilitar as maratonas infindáveis de milongas que percorremos em Buenos Aires ou outro local ao qual nos dirigimos com o único intuito de dançar até morrer.


Para os aficcionados como eu por zapatitos tangueros, aí vai uns links de sites de sapatos de tango. Em alguns pode-se comprar on-line. Este mesmo que uso na foto escolhi por um desses sites. Deliciem-se:

2x4 al pie
Darcos Tango
Neo Tango
Madreselva Zapatos
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[pintura de Gabriela Pavan]

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ainda sobre passado e presente




Então... enquanto eu matutava sobre essa coisa de unir o passado e o presente, eis que me deparo com essa pérola: uma osquestra típica de tango com músicos jovens, de visual contemporâneo, tocando o maestro Di Sarli. No Youtube você pode vê-los tocando outros compositores antigos. E muito bem, a meu ver. E pelas minhas andanças na rede, pude ver que eles já fizeram vários shows pelo Brasil. Como eu nunca ouvi falar? Agora sim...

Com vocês, a Osquesta Típica Fernandez Fierro:

http://www.youtube.com/watch?v=phsL5bgwVJg&NR=1

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Horacio Ferrer













Sessão poetas do tango


La veterana

Cloquea su putodio de largo ministerio
con voz encorsetada. Y va, de contrapunto
-detrás de los exangües y lacios hemisferios
del pecho- en son postrero de nalgas y de untos.

Y en tanto monologa falópicos asuntos
con ojos apagados de sándalo y de mica,
celebra, herejemente, su risa de difuntos
o da su avemaría, llorando, a unos maricas.

A veces, arrastrando la elizabetardente
careta embadurnada de heroicos ingredientes,
su orgullo busca un poco de alcohol o de pelota;

y pasa la ortopedia procaz de su alegría
mostrando entre las mesas, como una demasía,
la inútil y erudita vejez de su derrota.

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> figurou como 'o poeta' de Piazzolla, aquele com o qual formou uma parceria mais que profícua. Esse poema é chamado de poema-lunfardo, por se utilizar da linguagem própria do tango, o lunfardo, do qual já falei alguns posts atrás.

Certos poemas não devem ser traduzidos, pois perdem a sonoridade e até o sentido que o poeta quis dar. Acredito que esse é o caso, ainda mais por se tratar de um soneto, onde a métrica e a rima são essenciais.


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tango Novo X Tango Tradicional ?


Muito tem se falado nessa suposta dicotomia entre o tango novo (tango eletrônico, tango contemporâneo, etc.) e o tango tradicional. Mas em minha mente vem logo a pergunta: onde acaba um e começa o outro? Será que há uma linha divisória?

É bem verdade que a 'nova onda' do tango surgiu com as orquestras eletrônicas lá pelo final da década de 90. Antes disso, pouco se tinha de novas composições musicais de tango. Um Pablo Ziegler ali, um Lalo Schifrin acolá, que são nomes de peso, sem dúvida, mas em termos quantitativos a dança já estava degraus acima disso, com vários profissionais com 'P' maiúsculo do mundo todo criando e pesquisando exaustivamente.

Daí podemos concluir que a dança nem sempre esteve atrelada à música no que toca a atualização.

Tomo algumas idéias a esse respeito observando a cena do tango atual. O que se está fazendo? O que vejo é uma dança híbrida (como quase todas as manifestações artísticas), que mescla o passado, o presente e até outras danças, ao som de uma música idem. A meu ver, já se rasgam as cortinas que antes definiam o espaço do novo e do antigo. Já vejo pares dançando o 'milongueiro' junto com as colgadas e volcadas (movimentos em contrapeso) do dito tango novo. E como fica bonito!

Eu particularmente não fecho meus olhos para nada. Tudo acrescenta. Gosto de um velho Di Sarli num abraço caloroso, assim como gosto de um Narcotango abusando das possibilidades da dança a dois.

Pois que tudo converge para uma única palavra que me agrada muito: arte.
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terça-feira, 3 de junho de 2008

Bailando...

Aqui está, como prometido, eu e Cacá (Oscar Ricarte pros íntimos) dançando na milonga EntreSueños.


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segunda-feira, 2 de junho de 2008

EntreSueños

Domingo, dia primeiro de junho, eu, meu pai e meu namorido Jairo fomos à milonga EntreSueños de Cacá (parceirinho meu de longa data) e Alex Gomes. Apesar de pouca gente, a qualidade era muito boa. Das pessoas, principalmente.

Aqui vai a primeira palhinha do baile, as fotos

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