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domingo, 22 de junho de 2008

Poesia: mulher de vidro









Mulher de vidro

Queria fazer poesia
Mas as lágrimas me embotam os olhos
Queria chorar
Mas a poesia me embota a alma
E meus dedos perambulam pelo caderno
Enquanto o verão de Buenos Aires me desbota

Acendo um cigarro em minha mente
Só pra ver o desenho da fumaça
E enquanto o tempo se anuncia presente
Ele mesmo não passa
Ao contrário, vem sussurrar no meu ouvido:
Cadê tua graça?

Dorme, que é melhor, mulher de vidro
Dorme enquanto a vida espreguiça
Seus belos tangos não te acalentam mais
Dorme, mas não sonha
Que sonhar já virou teu vício
Mulher das milongas loucas
Dos pés inquietos,
Do bairro das bocas...

(Flávia Valente)

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Horacio Ferrer













Sessão poetas do tango


La veterana

Cloquea su putodio de largo ministerio
con voz encorsetada. Y va, de contrapunto
-detrás de los exangües y lacios hemisferios
del pecho- en son postrero de nalgas y de untos.

Y en tanto monologa falópicos asuntos
con ojos apagados de sándalo y de mica,
celebra, herejemente, su risa de difuntos
o da su avemaría, llorando, a unos maricas.

A veces, arrastrando la elizabetardente
careta embadurnada de heroicos ingredientes,
su orgullo busca un poco de alcohol o de pelota;

y pasa la ortopedia procaz de su alegría
mostrando entre las mesas, como una demasía,
la inútil y erudita vejez de su derrota.

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> figurou como 'o poeta' de Piazzolla, aquele com o qual formou uma parceria mais que profícua. Esse poema é chamado de poema-lunfardo, por se utilizar da linguagem própria do tango, o lunfardo, do qual já falei alguns posts atrás.

Certos poemas não devem ser traduzidos, pois perdem a sonoridade e até o sentido que o poeta quis dar. Acredito que esse é o caso, ainda mais por se tratar de um soneto, onde a métrica e a rima são essenciais.